LOCAÇÃO DE UM PONTO

    Para locar um ponto o Mapeador deve ter o passo duplo aferido, determinar a escala do mapa base, traçar os meridianos do norte magnético no mapa base e saber usar os métodos de locação de um ponto.

 

1.  PASSO DUPLO

   Ao longo de uma pernada o atleta tem que saber exatamente o local onde se encontra, ou seja, tem que medir a distância em ritmo de competição e de forma instintiva, pois sua mente estará envolvida ao mesmo tempo com outras técnicas.

   O passo duplo é um método estimado de medir distância que usa a própria passada do competidor e consiste em contar o número de vezes que um dos pés toca no solo entre dois pontos. 

    O passo duplo é diferente para cada pessoa, varia com o tipo de terreno e o ritmo de corrida ou caminhada do praticante.

    O passo duplo varia também a medida que o indivíduo vai adquirindo condicionamento físico e aumentando a amplitude da passada. 

 

TABELA DE PASSOS DUPLOS

Para fazer sua tabela de passos você tem que saber qual o seu número de passos duplos em 100m usando o método direto ou o método científico de aferição do passo, sendo este mais preciso.

a.  MÉTODO DIRETO:

     Escolha uma área na floresta e com a bússola faça a medida da distância entre dois pontos no mapa. Conte o número de passos duplos entre os dois pontos. Multiplique por 100 o número de passos e divida pela distância medida no mapa com a escala da bússola. Pd(100m)= 100 x Pd/d(m)

    Repita o procedimento em outras áreas e calcule a média entre os resultados encontrados, então você terá o número de passos  em 100m.

 b. MÉTODO CIENTÍFICO

    O técnico deve medir 100m com uma trena, em um terreno plano com piso de grama, e marcar de 10 em 10m, podendo improvisar para isto garrafas de plástico contendo água até a metade e a distância no local do rótulo.

    O atleta deve fazer aquecimento e correr os 100m em ritmo de competição contando os passos duplos. 

     Repita o procedimento por seis vezes e descarte o maior e o menor número de passos e calcule a média entre os quatro resultados  restantes para ter o número de passos em 100m.    

     Você deve usar este método de aferição do passo no ritmo de caminhada normal quando for fazer trabalhos de mapeamento.

 

     Para saber quantos passos temos que andar entre dois pontos ou para fazer a tabela de passos duplos (Pd) devemos multiplicar a distância encontrada em metros (Dm) pela  quantidade de passos duplos que aferimos em 100m (Pd100) e dividir por 100.

Pd = D(m) x Pd(100)/100 

TABELA DE PASSOS DUPLOS DOS ALUNOS DA ESEF/ UFRGS

NOME

Nº PASSOS DUPLOS EM METROS P/CAMINHADA

DISTÂNCIA EM METROS

100m

1m

2m

3m

5m

10 m

15 m

20 m

50m

100m

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2. ESCALA

    Escala é a relação entre a distância no mapa (d) e a distância real no terreno (D).               

DETERMINAÇÃO DA ESCALA DO MAPA

  Para determinar a escala do mapa devemos medir a distância (d) no mapa e a distância (D) no terreno, de preferência com uma trena, e aplica a fórmula E= d/D.(Fig. 1 e2)

 

TIPOS DE ESCALAS

 

 O praticante do esporte orientação poderá usar três tipos de escalas para determinar a quantidade de passos entre dois pontos:

 

 a.  Escala em milímetros da bússola

     Esta é a escala que mais envolve o raciocínio, pois fornece ao competidor a quantidade de milímetro entre dois pontos, sendo necessário calcular mentalmente a distância entre os dois pontos e depois calcular quantos passos corresponde à distância. Pode ser usada com mapas de qualquer escala.

     É um trabalho bom para exercitar  a capacidade de concentração e de fazer cálculos.  

b.     Escala Gráfica da bússola

     Esta escala fornece ao competidor a distância em metros entre dois pontos, sendo necessário calcular mentalmente a quantidade de passos. Só pode ser usada quando o mapa for da mesma escala da bússola.

c.      Escala de Passo Duplo

    A escala de passo duplo é uma invenção norueguesa, que é usada para fornecer ao competidor a quantidade aproximada de passos duplos que deverá andar entre dois pontos e consiste em uma escala gráfica marcada de 10 em 10 passos e numerada de 50 em 50 passos.

      A escala de passos varia conforme o número de passos em 100m de cada indivíduo e também com a escala do mapa.

       Para fazer a sua escala de passos o competidor tem que saber quantos metros corresponde cada 10 e 50 passos duplos e quantos milímetros essas distâncias correspondem no mapa na escala numérica desejada.

      Somente pode ser usada por pessoas  que tiverem a mesma quantia de passo em 100m e para o mapa da mesma escala numérica.

 

3. TRAÇADO DO NORTE MAGNÉTICO

    A terceira providência que o mapeador deve tomar antes de iniciar o trabalho de mapeamento é traçar o NORTE MAGNÉTICO no mapa base.  Há muitas maneiras de fazer este trabalho, no entanto devemos usar a LEITURA DIRETA por ser mais prática e correta pois elimina possíveis erros de terceiros que fogem ao nosso controle. 

     Para traçar o norte magnético usando a leitura direta devemos seguir os seguintes passos:

a. Escolher dois acidentes nítidos no mapa base e no terreno(uma torre e um canto de cerca) e uni-los no mapa base com uma linha ou um acidente que forme uma linha como uma cerca ou uma rede de energia elétrica. (Fig 3 e 4)

b. Com a bússola do mapeador devemos determinar o azimute entre os dois pontos ou da cerca etc...(Fig 5)

c. Devemos colocar a origem de um transferidor e o ângulo correspondente ao azimute em cima da reta que une os dois pontos ou da cerca, rede de energia etc... e desta maneira a linha 0°-180º é o NORTE MAGNÉTICO, que deve ser reproduzido paralelamente várias vezes para que sempre que for colocada a bússola no mapa um meridiano fique sob a bússola.  (Fig 6 e 7)

d. Podemos fazer a locação sem o transferidor usando a própria bússola registrando a leitura correspondente a 360° menos o azimute e colocando os meridianos da bússola na linha que une os dois pontos e neste caso o bordo da bússola é o norte magnético.

 

4. MÉTODOS DE LOCAÇÃO DE UM PONTO

 

a.        UMA DIREÇÃO E UMA DISTÂNCIA

      A locação de um ponto com uma direção e uma distância é usado para locar objetos próximos a origem ou ponto base e que estejam na mesma altitude ou com pouca inclinação, pois devemos levar em consideração que a distância no mapa é horizontal.

Para locar um objeto por este método devemos seguir os seguintes passos:

1.      Com a bússola do mapeador descobrir a direção entre o ponto origem e o objeto a ser locado (Fig 8 , 9 e 10);

2.      Registrar a direção usando o limbo móvel da bússola;

3.      Posicionar a bússola no mapa de forma que os meridianos da bússola fiquem na mesma posição dos meridianos do mapa (Norte da bússola para o Norte do mapa) e o bordo no ponto Origem;

4.      Traçar uma reta usando o bordo da bússola (o objeto a ser locado encontra-se em algum ponto nesta reta);

5.      Mede-se a distância usando o passo duplo e loca-se o ponto na reta.

Obs: 

-           A parte da reta que não for usada deve ser apagada.

-           Não devemos usar direções próximas de 0° e 180°

-           Não devemos usar este método para locar pontos que encontram-se em um desnível superior a 5º.

 

b.       DUAS DIREÇÕES NO OBJETO (interseção a ré)

Este método permite a locação de pontos distantes e que encontram-se em níveis diferentes.

1.      Posicionado no ponto a ser locado e usando a bússola do mapeador descobrir as direções de dois pontos conhecidos (Fig. 11 e 12) ;

2.      Registrar a 1ª direção no limbo móvel da bússola;

3.      Posicionar a bússola no mapa de forma que os meridianos da bússola fiquem na mesma posição dos meridianos do mapa (N com N) e o bordo no primeiro ponto conhecido;

4.      Traçar uma reta usando o bordo da bússola;

5.      Registrar a segunda direção no limbo móvel da bússola;

6.      Posicionar a bússola no mapa de forma que os meridianos da bússola fiquem na mesma posição dos meridianos do mapa (N com N) e o bordo no segundo ponto conhecido;

7.      Usando o bordo da bússola na nova posição traça-se a segunda reta;

"O cruzamento das duas retas é o ponto onde você se encontra". 

  Obs:

-           O ângulo entre os dois pontos conhecidos não deve ser menor que 45° e maior que 135°;

-           Este método é mais preciso que o método seguinte.

 

c. DUAS DIREÇÕES NAS ORIGENS (interseção a vante)

1.      Posicionado em um ponto conhecido (origem) e usando a bússola do mapeador descobrir a direção do ponto a ser locado (Fig. 13);

2.      Registrar a direção no limbo móvel da bússola;

3.      Posicionar a bússola no mapa de forma que os meridianos da bússola fiquem na mesma posição dos meridianos do mapa (N com N) e o bordo no ponto em que você se encontra;

4.      Traçar uma reta usando o bordo da bússola;

5.      Posicionado no segundo ponto conhecido e usando a bússola do mapeador descobrir a nova direção do ponto a ser locado (Fig. 14);

6.      Registrar a direção no limbo móvel da bússola;

7.      Posicionar a bússola no mapa de forma que os meridianos da bússola fiquem na mesma posição dos meridianos do mapa (N com N) e o bordo no ponto em que você se encontra;

8.      Traçar uma reta usando o bordo da bússola;

"O cruzamento das duas retas é o ponto a ser locado". 

  Obs.

-           Os ângulos não devem ser menor que 45° e maior que 135°;

-           Este método permite a locação de pontos em locais inacessíveis.

  

JOSÉ OTAVIO FRANCO DORNELLES

CREF/RS - 3700